A maior virtude de um homem é saber ser grato com quem lhe apoiou. A gratidão, para ser cordata, não se baseia nos problemas e discussões, mas na ação de auxílio que por mérito ou destino recebemos. Se um assaltante por profissão salvar a vida de um familiar, serei eternamente grato ao dito cujo.

Nossa região está repleta de defeitos e aberrações. Não é preciso ser nenhum sábio ou ter uma capacidade mística para verificar essa afirmação. Entretanto, bem ou mal, foi ela quem formou nossa capacidade de ver o mundo, de se posicionar e de agir. Sejamos gratos a ela!

Ter respeito e gratidão para com o nosso Oeste paulista não significa fechar os olhos para seus dilemas, pelo contrario, devemos denunciá-los, mas o fato deles existirem não deve reprimir nossa canção de agradecimento ao lugar; não significa ficar bajulando políticos e belezas naturais, mas ser a atalaia mais criteriosa para as ações “politiqueiras” de nossos honoráveis governantes.

Machado de Assis, no texto Instinto de Nacionalidade, diz claramente as características de uma produção literária regional. Pra falar de Brasil e de interior sendo atual não é preciso falar somente de índio e de aspectos provincianos, mas falar de tudo, inclusive dessas características regionais, contudo, como homem de seu lugar e tempo histórico.

O Bruxo do Cosme Velho tem uma citação mais do que repetida, ainda sim, pouco entendida: “É preciso ser homem de seu tempo e de seu país, além de possuir certo íntimo que nem todo escritor tem”. O íntimo é a noção de espaço e tempo em sua cultura.

O Descontínuo project tudo comenta e desperta a vontade de sermos nós mesmos. Aventura seus espectadores nas artes consagradas e não inventadas, sem precisar ser conhecedor exímio das técnicas protocolares. Aproveitando o embalo de Mario de Andrade: “E então seremos universais, porque nacionais”.

by Ulisses Coelho

Descontínuo project?

Publicado: julho 22, 2010 em Uncategorized

O que pode ser chamado de Descontínuo?

Procurar no dicionário pode ser o início de uma pesquisa bem aventurada sobre o projeto. Entretanto, não é o suficiente, por se tratar de uma mistura entre literatura, música e artes cênicas. Mas já é um princípio.

Ah já sei! Fazer uma busca no Google! Já me dei ao trabalho… Além do link do presente blog, o mais comum se prende à velha tradição do dicionário. Em poucas palavras, aquilo que não tem continuidade ou o que é interrompido.

Ora, se não tem continuidade pra quê gastar tempo com isso? Melhorando o problema. Será o descontínuo project uma ambição que não terá maiores desdobramentos ou uma simbologia daquilo que é interrompido?

Usando a navalha de Ockham para fazer as barbas de Platão, noutras palavras, preocupando-se com o problema mais urgente, vou excluir a questão da não continuidade. É simples simbolizar aquilo que é interrompido? Depende do que foi interrompido.

Um coito interrompido é ruim, então aqui é difícil ser uma expressão sintética do mesmo. Uma dor interrompida é bom, nesse caso  se prestar a uma descontinuidade já melhora um pouco. O analgésico pode passar como uma boa alegoria.

O Descontínuo project é um emblema da ruptura com o prazer ou com a dor? Aí, meus irmãos, deixem para a falaciosa subjetividade…

by Ulisses Coelho.

Nosso povo tem hábitos sazonais. As melancolias dos dias cinzas e nublados, sugestionadas pela leitura de escritores europeus, se misturam com a efervescência escaldante e transpirada dos dias de verão no Oeste do estado de São Paulo. Vivemos uma mescla dos incômodos do calor e do frio no imaginário popular interiorano.

Sou do interior e, com maior orgulho ainda, de Assis. Nossa região vive todas as estações do ano dentro de um único dia. Chuva, sol, vento, calor, frio e seco. Elementos do dia de um trabalhador que sai de casa quando está escuro e, quando volta, está mais no breu ainda. Dentro dessa multiplicidade de temperaturas, acontece o heróico cotidiano do proletariado nacional.

O projeto Descontínuo simboliza, esteticamente, esse mosaico climático que vive uma pessoa comum em sua rotina ordinária e acelerada. Cada palavra escrita e interpretada reflete as cores e as sensações de um povo. Varia desde a esfera econômica à psíquica; do relaxamento à tensão; do êxtase ao orgasmo; da tragédia à perturbação; e tudo isso com temperatura, cor, vibração e pegada.

Esse movimento que em todo momento quer afirmar a importância do faça você mesmo, está em um de seus primeiros estágios, por isso, é a hora mais crua e original que vemos diante de nossos míopes olhos. A transição da idéia para o texto, do texto para o verbo e do verbo para o ouvido, embriagada por uma música ambiente, mostra, em resumidas palavras, o valor de uma ação bem pensada. Outrora era apenas pensada, por alguns apenas agida, está aí a síntese do refletir e do agir, sem prescindir preguiçosamente um do outro.

O projeto Descontínuo é tão somente o início. Se ficarmos no tão somente, será pelo menos bem feito e carregado da temperatura alta das rubras chamas dos canaviais fronteiriços.

by Ulisses Coelho

Ontem, dia 26/06/2010 o Projeto Descontínuo realizou seu primeiro encontro na Fábrica da Leitura. Os presentes embarcaram em uma espécie de vernissage nada convencional, primeiro porque os convidados não foram regados a  champagne acompanhado de canapés ; segundo, os críticos de artes não compareceram com suas Line of Business culturais. O clima introspectivo foi ampliado pela estrutura arquitetônica, à ausência da alvenaria contribuiu para a fluidez poética que já estava em harmonia com o ciclo da lua.

Os convidados apreciaram a leitura dos contos “Sagrado” e “7:45” e de uma poesia “Cotidiano esquecido” que foi interpretado pelo ator Ricardo Bagge. Entre os contos e o silêncio, a música folk experimental da banda Jeremias Kosaki reconstruía um frenesi atmosférico singular.

A arte gráfica também esteve presente no evento  e foi representada por Ricardo Bagge com sua exposição itinerante  “Riscos pelo Risco” e pela ilustração de Túlio Melo, que inovou na forma de expor ao criar uma “pasta interativa”.

Após uma suculenta colher de literatura e música folk, a primeira descontinuidade se findou com uma bela apresentação de Diego Max e suas ambientações sonoras produzida e orquestradas no projeto Out Track. Com todo vigor “do it yourself”, suas bricolagens encantaram e corroeram as simplistas estruturas musicas contemporâneas.

Esse primeiro encontro abre uma série de apresentações que o Projeto Descontínuo irá realizar na cidade de Assis-SP e região

by Sanabria


[rockyou id=157977982&w=670&h=500]

Fotos (by Juh Bass)

Ontem, dia 26/06/2010 o Projeto Descontínuo realizou seu primeiro encontro na Fábrica da Leitura. Os presentes embarcaram em uma espécie de vernissage nada convencional, primeiro porque os convidados não foram regados a champagne acompanhado de canapés; segundo, os críticos de artes não compareceram com suas Line of Business culturais. O clima introspectivo foi ampliado pela estrutura arquitetônica, à ausência da alvenaria contribuiu para a fluidez poética que já estava em harmonia com o ciclo da lua.

Os convidados apreciaram a leitura de dois contos (“Sagrado” e “7:45”), que foi interpretado pelo ator Ricardo Bagge. Entre os contos e o silêncio, a música folk experimental da banda Jeremias Kosaki reconstruía um frenesi atmosférico singular.

Após uma suculenta colher de literatura e música folk, a primeira descontinuidade se findou com uma bela apresentação de Diego Max e suas ambientações sonoras produzida e orquestradas no projeto Out Track. Com todo vigor “do it yourself”, suas bricolagens encantaram e corroeram as simplistas estruturas musicas contemporâneas.

Esse primeiro encontro abre uma série de apresentações que o Projeto Descontínuo irá realizar na cidade de Assis-SP e região

É comum durante uma vernissage servir-se um coquetel aos convidados, regado a champagne acompanhado de canapés, por exemplo, enquanto artistas e outros convidados como críticos e jornalistas (que podem ser convidados ou participar de uma exibição em separado) arrazoam sobre as obras expostas.

Projeto Descontínuo

Publicado: junho 10, 2010 em Uncategorized
Em breve “Projeto Descontínuo” na Fábrica da Leitura…
Aguardem.